quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Documentários Sobre Krishnamurti
Tudo o que nós inventamos os símbolos nas igrejas, os rituais, foram todos implantados pelo pensamento. O pensamento inventou essas coisas. Inventou o salvador, inventou os templos na Índia e os conteúdos dos templos. O pensamento inventou todas essas... coisas chamadas sagradas. Você não pode negar isso. Então, o pensamento em si, não é algo sagrado. E quando o pensamento inventa Deus, Deus não é sagrado. Então, o que é sagrado? Isso só pode ser... compreendido ou acontecer quando existe uma liberdade completa, do medo, da tristeza e existe um senso de amor e compaixão com sua própria inteligência. Assim, quando a mente está profundamente quieta é que o sagrado pode então acontecer. J. KRISHNAMURTI
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Carta pela Compaixão
O princípio da compaixão está no coração de todos os religiosos, nas tradições espirituais
e éticas, chamando-nos sempre para tratar a todas as pessoas como nós mesmos
queremos ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incansavelmente para aliviar
o sofrimento dos nossos semelhantes, para destronar a nós mesmos a partir do centro do
nosso mundo e colocar outro lá, e para honrar a santidade inviolável de cada ser humano,
tratando a todos, sem exceção, com absoluta justiça, equidade e respeito.
Também é necessário, tanto na vida pública quanto na vida pessoal, evitar infligir dor, de
maneira consistente e enfática. Para agir ou falar violentamente apesar do chauvinismo
ou interesse próprio, por despeito, ou não, para enfraquecer, explorar ou negar direitos
básicos a alguém e para incitar antipatia ao denegrir os outros - mesmo os nossos
inimigos - é uma negação da nossa benevolência habitual. Reconheçamos que não
conseguimos viver com compaixão e que alguns de nós, até mesmo, aumentamos a soma
das misérias humanas em nome da religião.
Por isso, nós pedimos a todos os homens e mulheres - para restaurarem a compaixão ao
centro dos princípios morais e religiosos - para retornar ao antigo princípio de que
qualquer interpretação das Escrituras, que gerem violência, ódio ou desprezo, é ilegítima
- para garantir que os jovens estão recebendo informações precisas e respeitosas sobre
outras tradições, religiões e culturas - para incentivar uma atitude positiva diante da
diversidade cultural e religiosa – para desenvolver um informe compreensivo sobre o
sofrimento de todos os seres humanos - mesmo aqueles considerados inimigos.
Nós precisamos, urgentemente, fazer da compaixão uma força clara, luminosa e
dinâmica no nosso mundo polarizado. Enraizada em determinados princípios para
transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar os limites políticos, dogmáticos e
religiosos. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para o
relacionamento humano e para preencher a humanidade. É o caminho para o
esclarecimento e é indispensável para a criação de uma economia justa e uma
comunidade global pacífica.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
História da Humanidade
O respeito à diversidade
Em
um mundo em que a tolerância e o respeito à diversidade são palavras de ordem
cada vez mais presentes, se faz necessário conhecer, sem preconceitos, o
presente e o passado de culturas diferentes da nossa, como aquelas que se
formaram, há milhares de anos, no norte da África, no Oriente Médio e no
Sudeste Asiático. Apesar da diversidade entre os povos antigos, todos eles
representam ramificações do desenvolvimento do Homo Sapiens, a espécie da qual
fazemos parte.
Sendo
assim, iniciaremos um mergulho pela História da Humanidade, procurando
compreender a diversidade cultural e religiosa dos diversos povos com o
objetivo de adquirir maior respeito e tolerância e compreender a nossa própria
sociedade contemporânea através dos ensinamentos presentes no passado da
humanidade.
Na
medida do possível iremos direcionar este mergulho na história da humanidade
para temática das religiões, isto é, o ponto central da abordagem proposta é
analisar a evolução do homem ao longo do tempo e as diversas manifestações da
espiritualidade ao longo dos séculos e das diversas culturas existentes no
globo.
Projeto Cápsula do Tempo
A origem da Humanidade
É provável que uma das
perguntas mais inquietantes do Homem seja: a de quem realmente somos ? de onde
viemos ? e para onde vamos ? Estes questionamentos tem norteado os rumos da
filosofia, das religiões e das pesquisas científicas ao longo dos séculos.
Sobre a origem do Homem muitas tem sido as explicações: algumas míticas,
recheadas de simbologias, outras baseadas em fatos. Nos últimos dois séculos
temos uma idéia mais clara a esse respeito.
Digamos que pudéssemos embarcar
em uma cápsula do tempo e retornar um milhão de anos no passado da terra, ao
sairmos encontraríamos seres humanos muito diferentes do que somos atualmente,
podemos afirmar que estaríamos observando a infância da espécie humana, período
esse que foi denominado de Pré-História. Foi durante este período que nossos
antepassados distantes começaram a andar, a usar suas mãos e sua inteligência
para superar as difíceis condições de sobrevivência a dominar outras espécies e
a ocupar os continentes.
Deste modo, é possível afirmar
que estudar a Pré- História é fundamental para compreendermos as origens de
nossa cultura, da invenção das primeiras ferramentas, das primeiras formas de
arte, das cidades, o que possibilita perceber que atualmente temos mais
conforto e recursos de sobrevivência que nossos antepassados, mas também um
modo de vida que estimula o individualismo, agride a natureza e estabelece,
entre os homens fronteiras sócio econômicas, étnicas e territoriais.
O lugar do homem na evolução das espécies
O criacionismo
Todas as civilizações
elaboravam explicações sobre a aparição do homem, seu lugar no mundo e suas
relações com outras espécies.
Muitos povos inventaram
histórias sobre a criação, ligadas a mitos ou crenças religiosas.
Para os egípcios, os homens
teriam se originado das lágrimas do deus Sol Rá.
Os mitos e lendas sobre a
origem do homem, que têm como ponto comum a crença de que a humanidade foi
criada por um ser superior, fazem parte de uma corrente de pensamento chamada
de criacionismo.
O criacionismo no mundo
ocidental é baseado na tradição judaico-cristã. Defende a idéia de que Deus é o
criador de tudo aquilo que existe e que depois de ter criado a Terra e todos os
sere vivos, teria criado Adão e Eva, dos quais toda humanidade, até os nossos
dias descenderia. Todas as bases de sustentação dessa teoria encontram-se no
Livro do Gênesis, no Antigo Testamento.
O Jardim das Delicias - Hieronymus Bosch (1450-1516)
Detalhe de Adão e Eva
Até o século XVII, a visão
criacionista era dominante no mundo ocidental. De acordo com um teólogo James
Usher a criação do mundo ocorreu em 23 de outubro de 4004 a. C um domingo e
Adão e Eva, foram os primeiros humanos.
O evolucionismo
Com o
desenvolvimento das ciências no século XVII e a contestação das explicações
religiosas sobre o funcionamento do mundo, muitos cientistas começaram a
questionar as explicações criacionistas.
Em
1820, um escocês chamado Charles Lyell, trabalhando com geologia, buscava
entender a formação de nosso planeta através da análise de rochas. Alguns anos
mais tarde, o naturalista inglês Charles Darwin usou os estudos de Lyell para
elaborar parte de sua teoria da evolução das espécies. Outro inglês Alfred
Russell Wallace refletia sobre a evolução e debatia suas hipóteses com Darwin.
O resultado desses estudos foi apresentado em 1858, em uma comunicação em que
expuseram a teoria da evolução por seleção natural. No ano seguinte, Charles
Darwin publicou seu livro A origem das espécies, que Wallace
defendia publicamente.

Charles Darwin
De
acordo com a tese de Darwin é a de que a sobrevivência de uma espécie ocorria
por um processo de seleção natural, no qual as espécies mais adaptadas ás
condições existentes em seu habitat seriam as mais bem sucedidas, tendo maiores
chances de sobreviver e procriar.
Em
1871, Darwin deu continuidade a seus estudos com a publicação do livro A origem
do homem e a seleção sexual, em que defendia que o homem havia evoluído como os
outros seres e que o ser humano e os macacos tinham uma origem comum, tese que
causou uma grande polêmica e que colocou em xeque a teoria do criacionismo.
Contraponto da História
Alguns
anos, após a publicação do livro de Charles Darwin A Origem das espécies, mais
precisamente em 1888, Helena Petrovna Blavatsky publicou seu livro A Doutrina
Secreta o obra composta de dois volumes. O volume I é dedicado à cosmogénese, e
é basicamente composto sobre estudos relativos à evolução do universo, enquanto
o volume II é dedicado à antropogênese, a origem e evolução da humanidade. Que mesmo não reconhecido nos meios acadêmicos
da época sem dúvida, também causou muitas discussões e debates a respeito das
origens do Homem e do Universo. Este livro no seu volume II muito resumidamente
apresenta uma explicação da evolução
humana da seguinte forma:

Blavatsky
Antropogênese:
A antropogênese descreve a origem
e evolução da humanidade. Nela são descritas as diversas raças humanas
(chamadas Raças-raiz) que já evoluíram neste planeta na atual Ronda.O livro
afirma que evoluem em nosso Globo sete grupos humanos em sete regiões
diferentes do Globo. Assim, Blavatsky defende uma origem poligenética do Homem.
A tese revolucionária de
Blavatsky é, em uma época que não se supunha o Homem mais antigo que 100 mil
anos, afirmar que o Homem físico tem mais de 18 milhões de anos de existência.
A antropogênese, descrita em
"A Doutrina Secreta", opõe-se à evolução darwinista que era
largamente aceita na época. Blavatsky não nega o mecanismo da evolução, mas não
aceita que uma "força cega e sem objetivo" possa ter resultado no
aparecimento do Homem. Para ela, a criação do Homem deu-se por meio de esforços
conscientes de seres divinos, que ela chama de Dhyan-Chohans, que são a origem
da Mônada que habita todo ser humano.
Blavatsky não nega que a evolução
dos animais e do Homem estão relacionadas. No entanto, ela alega que os homens
não são primatas, como afirma a teoria da evolução. Ao contrário, para
Blavatsky, os primatas são descendentes de antigas raças humanas que se
degeneraram.
A
Religião na Pré – História
Faz-se importante esclarecer o
período denominado Pré – História designa tudo o que ocorreu desde o
aparecimento do primeiro ser com postura ereta até o aparecimento da escrita.
Esta denominação foi um equivoco, pois acreditava-se que tudo que tivesse
ocorrido e não possui-se um registro escrito não poderia ser considerado como
História, ou seja sem a escrita não haveria história para contar. Entretanto,
existem outras ciências que auxiliam nesse trabalho de explicação da história
da humanidade que são arqueologia, paleontologia e a antropologia.
Alguns fósseis encontrados na Europa
e na Ásia confirmam que os homens de Neanderthal e o Cro-Magnon já tinham
alguma forma de crença. O indicio mais antigo de prática relacionada à religião
é o sepultamento. A prática da inumação revela uma preocupação com a vida após
a morte, outro aspecto recheado de significados é a posição em que o corpo é
encontrado, ele é virado para o leste, marcando a intenção de tornar o destino
da alma solidário com o curso do sol, com a esperança de um renascimento. E
também é posto em forma fetal, tendo a terra, no caso a cova, o simbolismo do útero.
Oferendas e diversos tipos de adornos foram encontrados, que provavelmente
serviriam para acompanhar na vida após a morte.
Fóssil em posição Fetal
Outras formas de manifestações da
religiosidade no Periodo Paleolítico são as pinturas em cavernas/ grutas e as inúmeras
estatuetas femininas. As estatuetas representam o culto fertilidade feminina,
representam a Grande Mãe a Deusa, figuras e símbolos femininos ocupam lugar
central durante esse período.
Representação da Grande Mãe a Deusa -
Período Paleolítico
FONTES CONSULTADAS
AZEVEDO, Antonio Carlos do Amaral. Dicionário de Nomes, Termos e Conceitos Históricos. Rio de Janeiro; Nova Fronteira, 1999.
GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. Petropólis; Vozes, 2001.
ALVES, Alexandre, OLIVEIRA, Leticia Fagundes de. Conexões com a História. Volume 1 Das Origens do Homem à Conquista do Novo Mundo. São Paulo, Moderna, 2010
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Projetos Pedagógicos
ENSINO ZEN
Meditação entre as lições
Eldorado do Sul – Quem diria que entoar mantras poderia ajudar a
diminuir a violência? Um projeto realizado na Escola Estadual Hiroshima, em
Eldorado do Sul, dedicado a ensinar a prática da meditação para crianças em
idade escolar, vem reduzindo a ansiedade e transformando o comportamento dos
estudantes.
Esse é o trabalho que a médica psiquiatra Anmal Arora desenvolve há pouco mais de dois anos pelo projeto Meditação pela Paz, como parte das ações da ONG Mente Viva. Com cerca de 15 minutos diários de concentração e entoação de mantras, as crianças ficam mais tranquilas, afetuosas e apresentam melhoras cognitivas e comportamentais.
– Depois que as sessões de meditação iniciaram, até as brincadeiras na hora do intervalo tornaram-se diferentes. O futebol do recreio nunca mais foi o mesmo – afirma a diretora da escola, Eliana Salazar, ao explicar que com os níveis de ansiedade reduzidos, os alunos brigam menos.
Esse é o trabalho que a médica psiquiatra Anmal Arora desenvolve há pouco mais de dois anos pelo projeto Meditação pela Paz, como parte das ações da ONG Mente Viva. Com cerca de 15 minutos diários de concentração e entoação de mantras, as crianças ficam mais tranquilas, afetuosas e apresentam melhoras cognitivas e comportamentais.
– Depois que as sessões de meditação iniciaram, até as brincadeiras na hora do intervalo tornaram-se diferentes. O futebol do recreio nunca mais foi o mesmo – afirma a diretora da escola, Eliana Salazar, ao explicar que com os níveis de ansiedade reduzidos, os alunos brigam menos.
O trabalho desenvolvido no Brasil é uma adaptação de um projeto trazido
dos Estados Unidos, em cidades com alta criminalidade. Segundo a indiana, um
estudo feito em Washington acompanhou o projeto aplicado em 8 mil crianças,
durante oito semanas, verificando 25% de redução da violência.
Nascida na Índia, Anmal traz de casa o gosto pela técnica de relaxamento
oriental. Foi seu pai, o físico quântico Harbans Lal Arora, quem trouxe o
projeto para o Brasil. Formada em Medicina e especializada em Psiquiatria, a
indiana utiliza técnicas de autoconhecimento e ioga. Nas escolas, destaca a
importância de capacitar os educadores.
– Ensinamos os professores a trabalhar a meditação em sala de aula, pois eles estão presentes no dia a dia da escola. Se o professor está mais tranquilo, confiante, otimista, ele reclama menos e faz mais, e também vai levar isso para sua turma– afirma Anmal.
– Ensinamos os professores a trabalhar a meditação em sala de aula, pois eles estão presentes no dia a dia da escola. Se o professor está mais tranquilo, confiante, otimista, ele reclama menos e faz mais, e também vai levar isso para sua turma– afirma Anmal.
O trabalho voluntário terá os efeitos medidos pela pesquisadora em
neuropsicologia Rochele Paz Fonseca, da PUCRS. O estudo deve ficar pronto até o
final do ano.
A prática também poderá ser conhecida na próxima edição do TEDxLaçador, amanhã, em Viamão, na Quinta da Estância Grande.
A prática também poderá ser conhecida na próxima edição do TEDxLaçador, amanhã, em Viamão, na Quinta da Estância Grande.
O evento apresenta ideias inovadoras em palestras de 18 minutos e segue um modelo padrão reproduzido em diversos locais do mundo. Assim como Anmal, outros profissionais terão a oportunidade de relatar experiências.
LARA ELY
http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/impressa/11,3747354,157,19533,impressa.html acessado em 07/05/2012
Postado : FELIPE FRANCO
Universalismo - Um Caminho para a Paz
"Até que todos por amor se Unam"
Existem vários caminhos para chegar até Deus . Conhecer diferentes crenças é como viajar por outros mundos e entender de forma mais clara que há vários caminhos para chegar à religiosidade.
Como as religiões abordam o mistério incompreensível para nossa mente finita, elas lançam mão da linguagem dos símbolos, que, por sua vez, inspiram e ensinam. Os símbolos constituem uma gramática atemporal que permite acessar verdades espirituais.

A "Lua Crescente" foi adotada como símbolo pelo islã no século XIV
A " Mão de Deus" também é conhecida como " Mão de Fátima" ( A Filha de Maomé ).
A " Roda da Lei" representa os ensinamentos budistas.
O Peixe é um símbolo que representa o cristianismo.
A Estrela de Davi é o principal símbolo do judaísmo e do Estado de Israel.
Vídeo sobre Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, produzido pelo Centro de Referência de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos para a Diversidade Religiosa -CRDHDR.
domingo, 6 de maio de 2012
Discurso da Dissolução
A Ordem da Estrela no Oriente foi fundada em 1911 para proclamar o
advento do Instrutor do Mundo. Krishnamurti fora nomeado o Dirigente da Ordem.
Em 3 de agosto de 1929, dia da abertura do Acampamento Anual da Estrela, em
Ommen, Holanda, Krishnamurti dissolveu a Ordem diante de 3.000 membros. Abaixo
está o texto completo da palestra que ele deu naquela ocasião.

“Vamos discutir nesta
manhã a dissolução da Ordem da Estrela. Muitas pessoas ficarão encantadas,
enquanto outras ficarão um tanto tristes. Não é uma questão nem para júbilo nem
para tristeza, porque é inevitável, como eu vou explicar. “É possível que vocês
se lembrem da história de como o diabo e um amigo dele estavam descendo a rua
quando viram à sua frente um homem se agachar e pegar algo do chão, dar uma
olhada e colocar no bolso. O amigo perguntou ao diabo: “Que foi que o homem
pegou?” “Ele pegou um pedaço da verdade”, respondeu o diabo. “Isso é um negócio
muito ruim pra você, então”, disse o amigo dele. “Oh, de modo algum”, retrucou
o diabo, “Vou deixar que ele a organize”.
Eu afirmo que a
Verdade é uma terra sem caminhos, e vocês não podem alcançá-la por nenhum
caminho, qualquer que seja, por nenhuma religião, por nenhuma seita. Este é o
meu ponto de vista, e eu o confirmo absoluta e incondicionalmente. A Verdade,
sendo ilimitada, incondicionada, inacessível por qualquer caminho que seja, não
pode ser organizada; nem pode qualquer organização ser constituída para
conduzir ou coagir pessoas para qualquer senda particular. Se vocês logo
compreendem isso, verão o quanto é impossível organizar uma crença. Uma crença
é algo puramente individual, e vocês não podem e não devem organizá-la. Se o
fizerem, ela se torna morta, cristalizada; torna-se um credo, uma seita, uma
religião a ser imposta aos outros. Isto é o que todos estão tentando fazer
mundo afora. A Verdade é restringida e usada como joguete por aqueles que são
fracos, por aqueles que estão apenas momentaneamente desgostosos. A Verdade não
pode ser rebaixada, mas, em vez disso, deve o indivíduo fazer esforço para
ascender até ela. Vocês não podem trazer o topo da montanha para o vale. Se
querem atingir o cume da montanha, vocês devem atravessar o vale e escalar as
escarpas sem medo dos perigosos precipícios.
Portanto, esta é a
primeira razão, do meu ponto de vista, pela qual a Ordem da Estrela deva ser
dissolvida. Nada obstante, vocês provavelmente formarão novas Ordens,
continuarão a pertencer a outras organizações em busca da Verdade. Eu não quero
pertencer a nenhuma organização do gênero espiritual, por favor, compreendam
isto. Eu faria uso de qualquer organização que me levasse a Londres, por
exemplo; isso é um tipo bastante diferente de organização, meramente mecânica,
como o correio e o telégrafo. Eu usaria um automóvel ou um vapor para viajar,
esses são apenas mecanismos físicos, os quais nada têm a ver com
espiritualidade. Novamente, eu sustento que nenhuma organização pode conduzir o
homem à espiritualidade.
Se uma organização
for criada com esse propósito, ela se transforma numa muleta, um ponto fraco,
uma dependência, incapacita o indivíduo, e impede-o de crescer, de estabelecer
sua singularidade, que reside na descoberta que ele deve fazer – por si mesmo -
daquela Verdade absoluta, não condicionada. Esta é, portanto, outra razão pela
qual eu decidi, uma vez que aconteceu de ser eu o Dirigente da Ordem da
Estrela, dissolvê-la. Ninguém persuadiu-me a tomar esta decisão. Isto não é
nenhuma grande façanha, porque eu não quero seguidores, deixo isso claro. No
momento em que vocês seguem alguém, deixam de seguir a Verdade. Não estou
preocupado em saber se vocês prestam atenção ao que eu digo ou não. Eu quero
fazer determinada coisa no mundo e eu vou fazê-la com resoluta concentração.
Estou interessado somente numa coisa essencial: libertar o ser humano. Eu
desejo libertá-lo de todas as prisões, de todos os temores, e não fundar
religiões, novas seitas, nem estabelecer novas teorias e novas filosofias.
Então vocês naturalmente me perguntam por que eu sigo mundo afora, falando
continuamente. Eu lhes direi por que razão eu faço isso: não porque eu deseje
seguidores, não porque eu queira um grupo especial de discípulos especiais.
(Como os homens gostam de ser diferentes de seus semelhantes, por ridículas,
absurdas e banais que suas distinções possam ser! Eu não quero encorajar esse
disparate). Não tenho discípulos ou apóstolos, quer na terra quer no reino da espiritualidade.
“Não é a sedução do dinheiro nem o desejo de viver uma vida confortável o que
me atrai. Se eu quisesse uma vida confortável eu não teria vindo a um
acampamento ou a viver num país úmido. Estou falando francamente porque quero
isso estabelecido de uma vez por todas. Não quero essas discussões pueris ano
após ano.
Um jornalista que me
entrevistou considerou uma façanha o ato de dissolver uma organização na qual
havia milhares e milhares de membros. Para ele isso foi um grande feito, porque
ele disse: “O que você fará doravante, como você viverá? Você não terá nenhum
séquito, as pessoas não mais o ouvirão”. Se houver apenas cinco pessoas que
ouçam, que tenham suas faces voltadas para a eternidade, isso será suficiente.
De que serve ter milhares de pessoas que não compreendem, que estão totalmente
imersas em preconceito, que não querem o novo, mas que até mesmo traduziriam o
novo para satisfazerem seus próprios eus estéreis e estagnados? Se eu falo de
forma contundente, por favor, não me entendam mal, não é por falta de
compaixão. Se vão um cirurgião para uma operação, não seria bondade da parte
dele operar mesmo que lhes cause dor? Da mesma forma, se eu falo de maneira
direta, não é por falta de afeto verdadeiro – pelo contrário.
Tal como disse, tenho
um só propósito: tornar o homem livre, impulsioná-lo para liberdade, auxiliá-lo
a romper com todas as limitações, por que somente isso lhe dará felicidade
eterna, lhe dará a incondicionada realização do ser.
Porque eu sou livre,
incondicionado, completo, não a parte - não a relativa mas a Verdade inteira
que é eterna – eu desejo que aqueles que buscam compreender-me sejam livres:
não que me sigam, não que façam de mim ma prisão que se transforme em religião,
uma seita. Ao contrário, eles deveriam estar livres de todos os medos, do medo
da religião, do medo da salvação, do medo da espiritualidade, do medo do amor,
do medo da morte, do medo da própria vida. Assim como um artista pinta um
quadro porque se deleita com essa pintura, porque ela é sua autoexpressão, sua
glória, seu bem-estar, assim faço isso, e não porque eu queira algo de alguém.
“Vocês estão acostumados com a autoridade, ou com a atmosfera de autoridade, a
qual vocês acham que os conduzirá à espiritualidade. Vocês pensam e esperam que
alguém possa, por meio de seus extraordinários poderes – um milagre –
transportá-los a esse reino de eterna liberdade que é a Felicidade. Toda sua
concepção de vida está baseada nessa autoridade.
Vocês têm-me ouvido
por três anos, sem que qualquer mudança tenha ocorrido, exceto em uns poucos.
Analisem agora o que eu estou dizendo, sejam críticos, de forma que vocês
entendam radicalmente, fundamentalmente. Quando vocês procuram uma autoridade
que os conduza à espiritualidade, vocês são automaticamente instados a construir
uma organização em torno daquela autoridade. Pela simples criação de tal
organização, a qual, vocês pensam, auxiliará essa autoridade a conduzi-los à
espiritualidade, vocês estão encerrados numa prisão.
Se falo com
franqueza, por favor, lembrem-se de que assim o faço não por aspereza, não por
crueldade, não por entusiasmo do meu propósito, mas porque eu quero que vocês
entendam o que eu estou dizendo. Esta é a razão porque vocês estão aqui, e
seria uma perda de tempo se eu não explicasse claramente, decisivamente, meu
ponto de vista. “Por dezoito anos vocês vêm-se preparando para este evento,
para a Vinda do Instrutor do Mundo. Durante dezoito anos vocês se organizaram,
procuraram alguém que desse um novo deleite para seus corações e mentes, que
transformasse toda a sua vida, que lhes desse uma nova compreensão; por alguém
que os alçasse a um novo plano de vida, que lhes desse um novo alento, que os
libertasse – mas agora, vejam o que está acontecendo! Reconsiderem, ponderem
consigo mesmos, e descubram de que maneira essa crença os tornou diferentes –
não com a diferença superficial de usar de um crachá, que é banal, absurda. De
que maneira tal crença lhes varreu da vida todas as coisas inessenciais? Essa é
a única maneira de ponderar: de que modo vocês estão mais livres, mais nobres,
mais perigosos para qualquer Sociedade que seja baseada no falso e no
inessencial? De que maneira os membros desta organização da Estrela tornaram-se
diferentes? Como eu disse, vocês vêm-se preparando para mim durante dezoito
anos. Não me importa se vocês acreditam que eu sou o Instrutor do Mundo ou não.
Isto tem muito pouca importância. Desde que vocês pertencem à organização da
Ordem da Estrela, vocês têm dado seu apoio, sua energia, reconhecendo que
Krishnamurti é o Instrutor do Mundo – parcial ou inteiramente: totalmente, por
aqueles que estão realmente buscando, apenas parcialmente por aqueles que estão
satisfeitos com suas próprias meias verdades.
Vocês vêm-se
preparando por dezoito anos, e vejam quantas dificuldades há no processo de sua
compreensão, quantas complicações, quantas coisas vulgares. Seus preconceitos,
seus temores, suas autoridades, suas igrejas, novas e antigas, tudo isso,
afirmo, são uma barreira para a compreensão. Não consigo fazer-me mais claro do
que isso. Não quero que concordem comigo, não quero que me sigam, quero que
entendam o que eu estou dizendo. “Essa compreensão é necessária porque sua
crença não os transformou, mas apenas os complicou, e porque vocês não estão
dispostos a enfrentar as coisas como elas são. Vocês querem ter seus próprios
deuses, - novos deuses em vez dos antigos, novas religiões no lugar das
antigas, novas fórmulas no lugar das antigas, todos igualmente sem valor, todos
barreiras, todos limitações, todos muletas. No lugar de velhas preferências
espirituais vocês têm novas preferências espirituais, em vez de antigas
adorações vocês têm novas adorações. Todos vocês dependem, para sua
espiritualidade, para sua felicidade, para sua iluminação, de outra pessoa; e
nada obstante vocês estejam se preparando para mim por dezoito anos, quando eu
digo que essas coisas são inúteis, quando eu digo que vocês devem jogá-las fora
e olhar para dentro de vocês próprios para a iluminação, para a glória, para a
purificação, e para a incorruptibilidade do ser, nenhum de vocês está disposto
a fazê-lo. Pode haver uns poucos, mas muito, muito poucos. Então, por que se
ter uma organização?
Por que ter pessoas
falsas, hipócritas me seguindo, a personificação da Verdade? Por favor,
lembrem-se de que não estou dizendo algo cruel ou indelicado, mas chegamos a
uma situação em que vocês têm que enfrentar as coisas como elas são. Eu disse
no ano passado que não transigiria. Muito poucos me ouviram, então. Este ano eu
tornei isso absolutamente claro. Eu não sei como milhares de pessoas mundo
afora – membros da Ordem – têm-se preparado para mim durante dezoito anos, e
ainda agora não querem escutar incondicionalmente, inteiramente o que eu digo.
Tal como disse antes,
meu propósito é tornar o ser humano incondicionalmente livre, daí eu reafirmo
que a única espiritualidade é a incorruptibilidade do eu que é eterno, é a
harmonia entre razão e amor. Esta é a absoluta, incondicionada Verdade que é a
própria Vida. Quero, por isso, libertar o ser humano, exultante como o pássaro
no céu claro, aliviado, independente, extático nessa liberdade. E eu, para quem
vocês estão se preparando por dezoito anos, digo agora que vocês devem estar
livres de todas essas coisas, livres de suas complicações, suas confusões. Para
isto vocês precisam não possuir uma organização baseada em crença espiritual.
Por que ter uma organização para cinco ou dez pessoas no mundo que compreendem,
que estão batalhando, que puseram de lado todas as coisas banais? E para as
pessoas frágeis não pode haver organização nenhuma que as ajude a encontrar a
Verdade, porque a verdade está dentro de todos; ela não está longe nem perto;
está eternamente aí.
Organizações não
podem torná-los livres. Nenhum homem de fora pode torná-los livres; nem o pode
o culto organizado, nem a imolação de vocês mesmos por uma causa os torna
livres; nem enfileirando-se em uma organização, nem lançando-se em trabalhos,
os torna livres. Vocês usam uma máquina de escrever para escrever cartas, mas
vocês não a colocam em um altar e a adoram. Mas é isto que vocês estão fazendo
quando as organizações tornam-se seu principal interesse.
“Quantos membros ela
tem?” Esta é a primeira pergunta que me fazem os jornalistas. “Quantos
seguidores você tem? Pelo número deles julgaremos se o que você diz é verdadeiro
ou falso”. Não sei quantos eles são. Não estou preocupado com isso. Como disse,
se houvesse mesmo um que se tenha tornado livre, isso seria suficiente.
De novo, vocês têm a
ideia de que somente determinadas pessoas possuem a chave do Reino da Felicidade.
Ninguém a possui. Ninguém tem a autoridade para possuir tal chave. Essa chave é
seu próprio eu, e no desenvolvimento e na purificação e na incorruptibilidade
desse eu particular está o Reino da Eternidade.
Então vocês verão
como é absurda toda a estrutura que vocês construíram, procurando ajuda
externa, dependendo de outros para o seu consolo, sua felicidade, para sua
força. Estes somente podem ser encontrados dentro de vocês mesmos.
Vocês estão
acostumados a que lhes digam o quanto vocês avançaram, qual é sua posição
espiritual. Quanta infantilidade! Quem além de você mesmo pode dizer se você
está bonito ou feio por dentro? Quem além de você mesmo pode dizer se você é
incorruptível? Vocês não são sérios nessas coisas.
Mas aqueles que
realmente desejam compreender, aqueles que estão tentando encontrar o que é
eterno, sem começo e sem fim, caminharão juntos com uma intensidade maior,
serão um perigo para tudo que não seja essencial, para fantasias, para
obscuridades. E eles se concentrarão, eles se tornarão luz, porque compreendem.
Tal união nós devemos criar, e este é o meu propósito. Por causa dessa real
compreensão, haverá verdadeira solidariedade. Por causa dessa verdadeira
solidariedade – que vocês não parecem conhecer - haverá verdadeira cooperação
da parte de cada um. E isto não devido à autoridade, não por causa da salvação,
não devido à imolação por uma causa, mas porque vocês realmente compreendem, e
então são capazes de viver no eterno. Isso é uma coisa mais elevada que
qualquer prazer, que qualquer sacrifício.
Essas são, portanto,
algumas das razões porque, após cuidadosa consideração durante dois anos, eu
tomei esta decisão. Não foi um impulso momentâneo. Não fui persuadido a isso
por ninguém. Não me persuadem em tais coisas. Durante dois anos tenho pensado
sobre isto, morosamente, cuidadosamente, pacientemente, e agora decidi
dissolver a Ordem, uma vez que aconteceu ser eu seu Dirigente. Vocês podem
formar outras organizações e esperar por outra pessoa. Não estou preocupado com
isso, nem com a criação de novas prisões, novas ornamentações para esses
cárceres. Meu único interesse é tornar o ser humano absolutamente,
incondicionalmente livre.
Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt/about-krishnamurti/dissolution-speech.php acessado
em 05/05/2012
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